Papos sobre ética

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Categoria : comportamento

 

* Por Alex Camillo

As novas relações decorrentes da interação entre a sociedade e as TIC (tecnologia da informação e comunicação) trazem em seu bojo a necessidade de reflexão sobre o perfil do profissional de TIC, sua atuação e sua postura, bem como sua formação para o mercado de trabalho.

Segundo o pesquisador José Augusto Chaves Guimarães, “a ética profissional tem por objeto o conjunto de valores que uma determinada classe profissional deve se orientar e seguir para alcançar um ‘agir profissional’ correto e adequado para com a sociedade em que se insere e, no mais das vezes, materializa-se por meio de regras, expressas em códigos de ética, orientadores da conduta profissional de um dado segmento”.

Em relação ao profissional de TIC é importante ressaltar alguns pontos muito relevantes e que devem pautar sua conduta ética e legal. Por exemplo, não devemos utilizar nosso conhecimento em TI para:

  • Prejudicar ou obter vantagens de terceiros;
  • Interferir no trabalho de terceiros em TI sem autorização;
  • Vasculhar arquivos e pastas de terceiros;
  • Realizar crimes ou atos não éticos;
  • Prestar falso testemunho ou omitir informações sigilosas solicitadas por órgãos judiciais;
  • Utilizar ou copiar software sem direito ou autorização para tal;
  • Utilizar os recursos de TI de terceiros sem autorização;
  • Apropriar-se do trabalho intelectual de terceiros.

Os pontos citados acima podem parecer óbvios, porém ainda existem algumas questões nebulosas no ambiente de trabalho que merecem reflexão, vejamos algumas, sem entrar em questões legais, somente comentando sobre os aspectos éticos.

  • Fazer “freela” em horário de trabalho;
  • O gestor da empresa checar, ter acesso ao seu e-mail;
  • Utilizar o PC no trabalho para baixar filmes, músicas entre outras coisas;
  • Utilizar o e-mail do trabalho para uso pessoal;
  • Colocar projetos realizados para a empresa em seu portfólio pessoal;
  • Utilizar-se de informações obtidas na empresa para fins pessoais;
  • Usar telefone entre outros equipamentos da empresa para uso pessoal;
  • “Roubar talentos” – Quando um gestor muda de empresa e levar consigo profissionais com quem trabalhava na antiga empresa.

Nas aulas de psicologia este semestre, aprendi com a professora Maria do Carmo Cisne que ética se diferencia da moral, pois enquanto esta se fundamenta na obediência a normas, tabus, costumes ou mandamentos culturais, hierárquicos ou religiosos recebidos, a ética, ao contrário, busca fundamentar o bom modo de viver pelo pensamento humano.

Podemos inferir ética nas relações interpessoais (admitindo que as pessoas tenham seus limites e tentem não extrapolá-los), organizacionais (respeitando normas e cultura da empresa para a qual trabalhamos) e de grupos específicos (códigos de ética dos médicos, dos psicólogos, dos advogados etc.).

Como podemos observar no resultado da pesquisa, a questão do “freela” em horário de trabalho, a possibilidade do gestor de checar seu e-mail e a utilização de informações obtidas na empresa para fins pessoais foram às questões que mais ganharam votos. Confesso ter me sentido aliviado quando vi que a opção “nenhuma” não recebeu nenhum voto.

Como disse anteriormente as questões citadas na pesquisa são extremamente nebulosas. Apostaria que cada um que respondeu a pesquisa tem uma opinião diferente de outra pessoa sobre a mesma questão. Acredito que tudo possa ser resolvido com a empresa deixando clara a sua posição quanto às questões da pesquisa. Agir com transparência quanto à sua política interna, dessa forma, todos sabem, desde o início, quais são as regras do jogo.

Outro ponto que não é pacífico, é a questão da isonomia entre funcionários da mesma organização que estejam no mesmo nível hierárquico ou de plano de carreira. Um funcionário considerado “genial” pode ter mais “regalias” e concessões que outros?

Regras diferentes para funcionários da mesma função, mesmo que tenham tempo de carreira diferenciado, pode gerar um grande problema. Mal comparando, é a velha história do jogador de futebol que chega ao clube ganhando o dobro daquele que já estava lá há certo tempo:  o jogador antigo pode decidir não correr por aquele que ganha mais do que ele.

Minha opinião sobre o assunto é a seguinte: 1) “valorize seu passe”; 2) negocie.

Quanto ao tempo ocioso, ele pode ser bem empregado: por exemplo: pense em maneiras de melhorar rotinas e procedimentos da empresa;  como conseguir melhor resultado em menos tempo, com menos custo? As rotinas podem sempre ser repensadas, avaliadas e melhoradas, e com certeza há bastante coisa que possa ser feito durante os intervalos entre uma demanda e outra. Que tal ajudar um colega que tenha em mãos uma tarefa que demanda tempo e que você tenha percebido que ele está em dificuldade para entregá-la?

Conversando com o meu amigo e advogado Andre Brandalise, fui informado que a justiça entende que a empresa tem o direito de checar e-mail corporativo de seus funcionários, já que o e-mail é uma ferramenta da empresa, é como se a empresa emprestasse esta ferramenta para seu funcionário. Novamente, cabe a empresa deixar bem claro que monitora e-mails de funcionários, desde o início, regras criadas com a partida já em andamento podem causar desconforto aos dois lados.

Cabe ressaltar também que mesmo que a empresa tenha regras internas bem definidas sobre o que é aceitável ou não, cabe a nós também fazermos tal julgamento e firmarmos um padrão de conduta. Estamos sempre sendo observados e muitas destas questões e as nossas atitudes no ambiente de trabalho serão levadas em consideração na hora, por exemplo, de uma promoção. Um funcionário que usa cada minuto ocioso com freela ou leituras pessoais pode não ser tão bem visto ou valorizado como outro que oferece apoio aos colegas, compartilha informações com a equipe, usando esse tempo para registrar experiências e “dicas” na Wiki ou intranet ou investe em qualificação.

Por fim, a regra de ouro é mesmo o velho “bom senso”. Pergunte, se informe sobre as políticas internas da empresa, observe bastante. Cuidado, no entanto: perceber que uma pessoa tem determinado tipo de atitude não quer dizer que você possa/deva fazer a mesma coisa. Se o presidente da empresa te convida para tomar um café, não significa que você possa dar um tapinha em suas costas e fazer piada sobre o  time que ele torce. Não deixemos que a ética se transforme em um chavão bonito a ser repetido, porém vazio de conteúdo.

Sua opinião com relação às questões da pesquisa é muito bem-vinda, pois podemos construir em conjunto um “código de ciberconduta”. O que acham? Aos comentários !

 

Alex Camillo é estudante de Marketing e apaixonado por Mídias Sociais, desenvolvedor webfreelancer, desenvolve um blog pessoal , é um entusiasta da Tecnologia, leitor voraz, fanático pelo Fluminense, pela NBA e NFL, está tentando abandonar o “vício” em café e Coca-cola, em constante busca de Networking e Desenvolvimento Pessoal, e, por último, mas não menos importante, é casado, pai de família e uma pessoa muito feliz.

Comente! (6)

Olá Alex.

É com grande prazer que leio (e comento) o artigo que traz o resultado da sua pesquisa. Fiquei muito feliz (e surpreso) também por notar que a opção “nenhum” não tenha recebido votos.

Esta questão de “ética” costuma gerar polêmica, independente da área profissional. Mas seguindo os preceitos que cita neste (excelente) texto, creio impreterivelmente que seja possível chegar à um acordo entre as partes envolvidas, gerando desta maneira, um resultado positivo onde todos (independente de seu cargo e/ou posição) sairão ganhando, (principalmente a “empresa” [risos]).

Parabéns pelo trabalho e conte comigo, pois se puder lhe ser útil, serei!

Abraços.

Olá Samej,

Muito obrigado pelo comentário e pelas palavras de carinho e pela divulgação da pesquisa. Concordo quando você diz que o assunto é polêmico, por isso tentei manter o texto mais “light” possível, não entrando em questões de comportamento no ambiente de trabalho. Por mais que algumas questões possam parecer óbvias, ainda há conflitos no ambiente de trabalho, espero que as dicas acima possam ajudar de alguma forma.

Saiba que possa contar comigo sempre que precisar.

Abraços.

Interessante notar como a ética é negligenciada hoje, com jeitinhos aqui e ali.

Alguns, para justificar a falta de caráter, acabam por culpar a correria e a pressão do dia a dia.

Importante destacar o entendimento e o olhar do empregador e do empregado quanto à ética, que pode ser bem diferente quanto a determinada questão. Por exemplo, utilizar o e-mail do trabalho e fazer downloads pelo PC da empresa pode ser encarado com naturalidade por alguns patrões; já outros podem achar abominável. Por isso, a ética está intimamente ligada à moral; logo, é preciso checar e conhecer quais as regras e aceitações de cada ambiente, de cada gestor, de cada empresa.

Parabéns pelo artigo e reflexão trazida, Alex!
Newton Alexandria

Olá novamente.

Em meu trabalho, preciso lidar diretamente com o lado mais “sombrio” do ser humano, o lado verdadeiro! rsrs E justamente por isso posso afirmar:

“Por mais óbvio que algo possa ser, é justamente o que o ser humano não faz!”

Geralmente, a principal desculpa é: “É tão óbvio, que eu esqueci.”, ou ainda: “É tão óbvio! Mas não sei dizer porque não fiz.” E por aí vai!

Então, garanto-lhe que textos e “lembretes” que tragam o óbvio à tona, são sempre bem-vindos! rsrsrs

abraços.

Samej e Dr. Conteúdo obrigado pelos comentários. Acredito que seja bem por aí mesmo, o bom e velho jeitinho brasileiro, querer lervar vantagem sobre as outras pessoas, com afirmações do tipo: meu chefe tem muito dinheiro, não será problema se eu usar o telefone da empresa para uso pessoal” Mais uma vez obrigado pelos comentários e a divulgação da pesquisa.

[...] Papos Sobre Ética Meu segundo texto para o Papos na Rede. [...]

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