Ontem (15/03), foi o dia mundial do consumidor e é claro que os usuários do Twitter já colocaram a hashtag nos Trending Topics. Melhor do que ficar ligando para call centers e ficar ouvindo musiquinhas chatas e vozes robóticas, a solução encontrada para muitos consumidores tem sido reclamar na web, como é possível verificar pelo ranking de reclamações sobre os serviços prestados pelas empresas no site do Reclame Aqui. Recentemente, encontrei o blog Não Gostei, mais um espaço dedicado aos consumidores para que façam suas reclamações.
Muitos consumidores não conseguem resolver seus problemas com as empresas pelas vias convencionais. As redes sociais estão à disposição, para, imediatamente, propagar os desabafos daqueles que esgotaram as vias normais, como os SACs, em busca de solução.
Philip Kotler, em seu livro Marketing 3.0, fala sobre o empoderamento (do inglês empowerment) do consumidor – a participação do consumidor que ajuda a empresa a cumprir sua missão. Acrescenta o autor: O valor coletivo dos consumidores está enraizado no valor de uma rede. A rede pode se desenvolver com relacionamentos do tipo um-para-um, um-para-muitos ou muitos-para-muitos1.
As redes sociais estão ajudando ou forçando as empresas a atenderem melhor?
Citando Kotler novamente, “O valor total para o cliente é o conjunto de benefícios que os clientes esperam de um determinado produto ou serviço”2. Desta forma, podemos entender o conceito de valor para o cliente como o conjunto de experiências que ele tem por meio de sua relação com a empresa e com outros clientes.
Clientes querem ter exclusividade no atendimento, como se o serviço que estão adquirindo tivesse sido feito sob medida para atender às suas necessidades. A expectativa positiva, na maioria das vezes, é gerada a partir das próprias ações de comunicação da empresa.
Enquanto as empresas divulgam suas histórias por meio da propaganda, na rede de consumidores as histórias são transmitidas por relacionamento do tipo um-para-um, ou seja, de um membro para o outro. O inventor da Ethernet, Robert Mercalfe, captou isso na lei de Metcalfe, ao argumentar que o poder de uma rede de N membros no contexto de um relacionamento de tipo um-para-um é igual a n2. No entanto, explica Kotler, esta lei subestima o poder das redes, nas quais o relacionamento é do tipo um-para-muitos ou de muitos-para-muitos, ou seja, quando os consumidores estão conversando com outros consumidores simultaneamente. Isto é captado pela lei de Reed, que muitas vezes é usada para explicar o fenômeno da mídia social. De acordo com a lei de Reed, o poder da rede em um ambiente muitos-para-muitos de N membros é igual a 2n. Sempre que N é maior ou igual a 5, o poder da rede muitos-para-muitos é maior do que o da rede um-para-um. Este cálculo é o conceito central do empoderamento para o consumidor.3
O que os consumidores mais buscam é qualidade. O que é qualidade?
- Em primeiro lugar, a qualidade é aquilo que é percebido pelo cliente. Cada cliente, de acordo com sua cultura, criação, formação, desejo, percebe a qualidade de um jeito. É importante saber como ele a percebe, para que a empresa atenda às suas expectativas.
- Qualidade é uma jornada: um trabalho de qualidade tem início, meio, mas não tem fim. É um processo contínuo, cíclico. Você não consegue trabalhar com qualidade em um mês e não trabalhar no mês seguinte.
- Qualidade é trabalho de todos dentro de uma empresa, o envolvimento e o comprometimento de toda a estrutura da empresa no processo é fundamental para o sucesso da ação.
- Qualidade é uma questão de projeto: como tudo em marketing, o projeto necessita de um planejamento. Se você não planejar a qualidade, com certeza planejará o fracasso.
- Qualidade é cumprir a promessa do serviço: para muitos clientes, essa é a essência da qualidade. Cumprir aquilo que prometeu. Muitos só esperam isso.
Ao invés de temerem a hashtag ou a exposição online, as empresas deveriam rever as formas como se relacionam com seus clientes, pois cada vez mais os consumidores estão ficando mais exigentes, em busca de bom atendimento e, principalmente, respeito por parte das empresas.
1 KOTLER, Philip Marketing 3.0, 2ed, Campus, São Paulo, 2010, p.70.
2 KOTLER, Philip – Administração de Marketing– 10ed, Prentice Hall, 2000, p.56
3 KOTLER, Philip Marketing 3.0, 2ed, Campus, São Paulo, 2010, p.70.
Alex Camillo é estudante de Marketing e apaixonado por Mídias Sociais, desenvolvedor webfreelancer, desenvolve um blog pessoal , é um entusiasta da Tecnologia, leitor voraz, fanático pelo Fluminense, pela NBA e NFL, está tentando abandonar o “vício” em café e Coca-cola, em constante busca de Networking e Desenvolvimento Pessoal, e, por último, mas não menos importante, é casado, pai de família e uma pessoa muito feliz.


















